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Gravidez Fora do Útero é Possível? Pode-se Levar Adiante?

Gravidez Fora do Útero é Possível? Pode-se Levar Adiante?

Postado em: 11 de agosto de 2020

Atualizado por danijardim em 11 de agosto de 2020

Corrigido por: Dr. Luiz Eduardo Carvalho. Para você que nunca ouviu falar de gravidez fora do útero, saiba que a condição é  chamada de gravidez ectópica. Ela tem esse nome justamente por ser uma gestação em que o desenvolvimento do embrião ocorre fora da cavidade uterina, geralmente nas trompas. Mas a gravidez ectópica também pode […]

Corrigido por: Dr. Luiz Eduardo Carvalho. Para você que nunca ouviu falar de gravidez fora do útero, saiba que a condição é  chamada de gravidez ectópica. Ela tem esse nome justamente por ser uma gestação em que o desenvolvimento do embrião ocorre fora da cavidade uterina, geralmente nas trompas. Mas a gravidez ectópica também pode ocorrer em outros locais como nos ovários ou até dentro da cavidade abdominal.

O óvulo fecundado não segue seu trajeto normal até o útero, ficando na grande maioria das vezes na trompa, se instalando e se desenvolvendo ali. De acordo com o Ministério da Saúde, a gravidez ectópica é mais comum do que muitos imaginam, sendo que cerca de 1% da população feminina é acometida por ela todos os anos.

No entanto, embora a estatística pareça baixa, uma gestação como essa, além de inviável pode ser um risco grave para mulher. Por isso, deve ser diagnosticada o mais precoce possível  para evitar principalmente que a trompa se rompa e preservar a saúde da mulher, além de futuras gestações. 

Um dos primeiros sinais pode ser dor latejante entre a 5 e 7 semanas de gravidez geralmente em um dos lados da pelve, níveis de beta HCG mais baixos do que o esperado para a idade gestacional e sangramento de pouca intensidade. Sendo que a suspeita de uma gravidez ectópica pode ser confirmada através da ultrassonografia e exames de sangue (geralmente dosagem seriadas dos níveis de beta HCG) .

Assim, para entender tudo o que acontece mediante uma possível gravidez fora do útero, os problemas e riscos é preciso esclarecer primeiro como o processo normal de uma gestação saudável acontece.

Continue acompanhando tudo abaixo!

Como ocorre uma gravidez fora do útero?

aparelho reprodutor feminino e órgãos

Uma gravidez fora do útero é possível por inúmeras razões.

Toda gravidez se inicia com o processo de ovulação. O folículo cresce e após ficar maduro, se rompe liberando um óvulo pronto para ser fecundado. Ali, este óvulo é captado pela trompa, podendo ser fertilizado por cerca de 24 horas (janela de fertilização). 

Neste período, se a mulher tiver relações sexuais sem proteção, um espermatozóide pode fecundar esse óvulo, iniciando uma nova vida através da fusão dos dois gametas (óvulo e espermatozóide). 

Quando fecundado, o zigoto é guiado vagarosamente pela trompa até o útero onde se aloja no endométrio onde pode se desenvolver e crescer saudavelmente. Porém, se o zigoto não conseguir até o útero e se fixar na trompa, ocorre o chamamos de gravidez  ectópica tubária (seja uma gravidez que se fixou e se desenvolveu nas trompas).

Normalmente, a condição acontece por conta de alguma obstrução nas trompas, que permite a passagem apenas do espermatozoide, e não de um embrião. Ou por qualquer outro motivo, que veremos a seguir.

Causas da gravidez fora do útero

esquema mostrando gravidez fora do utero

Há diversas causas para uma gravidez fora do útero.

Toda mulher corre o risco de ter uma gravidez fora do útero. No entanto, existem alguns fatores que podem contribuir para que isto ocorra mais frequentemente. Como por exemplo, ter realizado cirurgia ou apresentar uma deformidade ou anormalidades na estrutura das tubas uterinas, ter tido algum tipo de doenças inflamatórias pélvicas, infecções de outra natureza e endometriose, além do tabagismo.

Tudo isso pode fazer com que o embrião tenha mais dificuldade de percorrer o trajeto em direção ao útero, por conta da baixa mobilidade das tubas. Pois, neste caso essa mobilidade é a principal responsável por empurrar o óvulo até a cavidade uterina.

Por conta dessas dificuldade, o embrião fecundado pode não chegar ao útero e acaba se fixando ali mesmo, levando ao quadro de gravidez ectópica. Estima-se que toda mulher que já teve uma gravidez fora do útero têm até dez vezes mais chances de tê-la novamente.

Veja as principais causas em detalhes abaixo:

Doença Inflamatória Pélvica

A Doença Inflamatória Pélvica é uma síndrome que afeta os órgãos genitais femininos. Ela é causada por algumas bactérias sendo as mais comuns a Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae. Geralmente são transmitidas por relações sexuais desprotegidas com um parceiro contaminado. 

Este tipo de infecção descrita acima, é um fator de risco para a gravidez ectópica, além de estarem diretamente relacionadas à infertilidade feminina.

Grande parte desta infecções são geralmente assintomáticas, isto é, a mulher pode não sentir nada enquanto as bactérias migram em direção às trompas de falópio, podendo apenas ser constatada quando se investiga uma casal infértil e se descobre obstrução parcial ou total das trompas. 

Cirurgia abdominal anterior

A gravidez fora do útero também pode ocorrer devido a cirurgia abdominal ou pélvica prévia o que pode ocasionar aderências e interferir na mobilidade das trompas bem como causar obstrução das mesmas.

Endometriose

Mulheres com histórico de endometriose também têm maiores chances de desenvolver uma gravidez fora do útero. A endometriose ocorre quando o endométrio, tecido que reveste o útero, se desenvolve em outros órgãos da cavidade abdominal causando um processo inflamatório que também pode ocasionar aderência e obstrução das trompas.

DIU – Dispositivo Intra Uterino

O DIU é um excelente método contraceptivo e raramente tem falhas, mas quando uma mulher usuárias de DIU engravida, existe uma maior probabilidade de se ter uma gravidez ectópica tubária.  Isso porque o DIU pode diminuir a mobilidade das trompas, dificultando o trajeto do embrião ao útero

Reprodução assistida

A fertilização in vitro também raramente pode ocasionar um maior risco de gravidez ectópica. Isto pode acontecer por um deslocamento do embrião em direção às trompas após a realização da transferência embrionária. 

Sintomas e sinais de uma gravidez ectópica

mulher com mãos sobre a barriga em formato de coração

Os sintomas de uma gravidez fora do utero podem passar desapercebidos.

Muitas vezes, os sinais do problema podem passar despercebidos, pois os sintomas são muito semelhantes a uma gravidez normal. Quando aparentes, os sintomas costumam ter início entre a sexta e a oitava semanas de gestação, o mesmo período que se manifestam também dores abdominais, com ou sem sangramento, além de mal-estar e náuseas. 

Caso o diagnóstico não seja realizado de forma precoce, os sintomas pode se agravar, causando quadro de hemorragia interna com dores pélvicas e abdominais cada vez mais fortes, vertigens e até desmaios. Sendo que em alguns casos a paciente pode entrar em choque hemorrágico com risco de morte se não for tratada imediatamente. 

Por isso, ao mínimo sinal de dores fortes, o ideal é procurar o médico o mais rápido possível para investigar esses sintomas. Caso não verifique nenhum saco gestacional ou sinal de gravidez no útero, ele irá monitorar a gestação para identificar a possibilidade de um gravidez ectópica.

Diagnóstico de gravidez fora do útero

Como dissemos, sob os primeiros sintomas de desconfiança de gravidez ou de algum sintoma acima, a mulher deve procurar o médico para um diagnóstico.

Caso o teste de gravidez confirme a gestação, o médico pode pedir exames laboratoriais de sangue, como as dosagens do hormônio BHCG, que no caso de uma gravidez ectópica apresenta uma menor elevação que o normal do que o esperado para aquela idade gestacional. 

Mas o diagnóstico de certeza geralmente é feito por ultassonografia trasnvaginal que identifica o desenvolvimento do saco gestacional fora da cavidade endometrial.

Tratamento para uma gestação ectópica

mulher g'ravida segurando a barriga

A gravidez fora do utero deve ser interrompida.

No caso de uma gravidez fora do útero, o processo de gestação deve ser interrompido, pois ela não é capaz de prosseguir normalmente. Isso porque a trompa não tem elasticidade suficiente para suportar o crescimento do óvulo, podendo se romper e até destruir asas trompas e causar uma quadro de hemorragia. 

O tratamento pode variar de acordo com o avanço da gestação e tamanho do embrião, podendo contar com uso de medicamentos até cirurgia para interromper a gravidez.

Mas de uma forma geral, há duas formas de tratar a condição: através da cirurgia laparoscópica (pelo umbigo), a fim de remover o embrião e reparar a trompa; ou paralisar a gravidez, a partir de medicamentos, com o intuito de promover a reabsorção do embrião pelo organismo e preservar a trompa de falópio.

No entanto, o tratamento medicamentoso só pode ser feito logo no início, desde que o embrião seja pequeno, com menos de 3,5 centímetros e esteja sem batimento cardíaco. Há casos também, de hemorragia grave, que a trompa pode ser retirada.

É possível engravidar depois de uma gravidez fora do útero?

O intuito dos tratamentos, independente da forma escolhida, é preservar a estrutura da trompa. Mas mesmo que não seja possível e uma das trompas seja retirada,uma vez que a outra trompa seja normal é possível ter uma gravidez natural. 

Mas, na maioria dos casos, as mulheres que retiraram uma das tubas conseguem engravidar posteriormente, seja de forma natural ou por meio dos tratamentos como a fertilização in vitro.

No entanto, é preciso esperar alguns meses para começar a tentar novamente e ter acompanhamento médico constante, pois a chance de tê-la de novo é maior.

Caso as tentativas sem sucesso ultrapassarem mais de um ano, a recomendação é procurar o médico para que se faça uma investigação dos fatores que podem estar associados a infertilidade do casal.