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Cirurgia de Retirada de Útero: Histerectomia

Cirurgia de Retirada de Útero: Histerectomia

Postado em: 19 de abril de 2020

Atualizado por Dr. Joji Ueno em 5 de maio de 2020

Chamamos de histerectomia a cirurgia de retirada de útero. Normalmente, esse é o procedimento utilizado para tratar câncer no colo ou no corpo do útero, miomas, quadro de irregularidade menstrual quando a mulher já tem prole definida e em alguns casos de endometriose. Existem diferentes formas de se realizar a retirada de útero, sendo que […]

Chamamos de histerectomia a cirurgia de retirada de útero. Normalmente, esse é o procedimento utilizado para tratar câncer no colo ou no corpo do útero, miomas, quadro de irregularidade menstrual quando a mulher já tem prole definida e em alguns casos de endometriose.

Existem diferentes formas de se realizar a retirada de útero, sendo que a remoção pode ser total ou parcial, dependendo de cada caso. Depois da apendicectomia, cirurgia realizada para retirar o apêndice, a histerectomia é a segunda cirurgia mais realizada no mundo. 

No Brasil, estima-se que 20% a 30% das mulheres serão submetidas a esse tipo de intervenção devido a complicações ginecológicas dos 40 até os 60 anos, o equivalente a 200 mil casos por ano. Já nos EUA, por exemplo, este número já está em torno de 600 mil por ano.

Além disso, o número relativo de histerectomias tem diminuído devido aos novos tratamentos para endometriose, leiomioma e prolapso uterino.

Até porque aproximadamente 35% das mulheres após essa cirurgia passam por outro procedimento relacionado em um prazo de 2 anos, sendo que a mortalidade é de 0,1 a 0,6%, com riscos maiores entre mulheres com câncer avançado e em gestantes.

Quer saber mais sobre a cirurgia de retirada de útero? Confira tudo abaixo!

O que é histerectomia?

A histerectomia é a cirurgia de retirada de útero.

A histerectomia é a cirurgia de retirada de útero.

Como dissemos, a histerectomia é o nome que damos para a cirurgia de retirada de útero, geralmente realizada como último recurso por um ginecologista. Normalmente, este tipo de procedimento cirúrgico é indicado no tratamento de câncer de colo do útero, miomas uterinos, sangramento uterino anormal, alguns casos de endometriose e prolapso uterino, quando o útero desce para a vagina devido a fragilidade dos músculos do assoalho pélvico.

No entanto, há quem utilize a cirurgia como um recurso preventivo em casos de incidência de câncer no histórico familiar ou problemas ginecológicos repetitivos, além de para amenizar os avanços no câncer de colo de útero.

Dependendo das causas para a histerectomia, há casos em que se retira a totalidade ou apenas uma parte do corpo e o colo do útero, podendo haver também a remoção simultânea dos ovários e trompas adjacentes (histerectomia total com anexectomia bilateral ou histerectomia radical).

Em uma histerectomia supracervical ou subtotal, por exemplo, remove-se apenas a parte superior do útero, mantendo o colo do útero no lugar. Já durante uma histerectomia total a remoção do útero e do colo do útero é completa.

Além disso, há a histerectomia radical que remove todo o útero, os tecidos e ligamentos ao lado do útero e a parte superior da vagina, porém é apenas indicada em casos de câncer do colo uterino, podendo acompanhar a remoção dos ovários ao mesmo tempo (cirurgia de pan-histerectomia).

Já quando associamos a histerectomia radical com a retirada de ovários, trompas, porção superior da vagina e esvaziamento ganglionar pélvico, chamamos de Cirurgia de Wertheim-Meigs.

Quando se indica a retirada de útero?

A cirurgia para retirada de útero ou histerectomia pode ser indicada por uma série de motivos diferentes, como os seguintes abaixo:

  • Miomas uterinos: em caso de miomas muito grandes, a histerectomia abdominal é mais indicada;
  • Endometriose: neste caso, a maioria das mulheres realiza a histerectomia abdominal ou por videolaparoscopia. 
  • Câncer ginecológico: em casos de câncer do útero, colo do útero, endométrio ou ovário, a histerectomia abdominal é indicada para o tratamento de câncer de ovário.
  • Prolapso uterino: a remoção do útero e reparação do relaxamento pélvico pode aliviar esses sintomas, sendo a histerectomia vaginal a mais indicadas;
  • Sangramento vaginal anormal: nesse caso, é possível fazer tanto a histerectomia vaginal quanto a abdominal e também por videolaparoscopia;
  • Dor pélvica crônica: se você tem dor pélvica crônica claramente causada por uma condição uterina, a histerectomia pode ajudar, mas apenas como um último recurso.

Embora a maioria dessas condições pode ser tratada com a realização de uma histerectomia, essa é apenas uma das várias opções de tratamento, podendo ser considerada apenas quando medicamentos e procedimentos ginecológicos menos invasivos não surtirem efeito.

Por outro lado, não há contraindicações para a retirada de útero, exceto por motivos individuais.

Como é feita a histerectomia?

A cirurgia de retirada de útero pode ser feito de diversas formas.

A cirurgia de retirada de útero pode ser feito de diversas formas.

O procedimento de retirada de útero pode ser feito de diversas formas, podendo ser uma histerectomia abdominal, vaginal, laparoscópica ou robótica. Porém, de qualquer forma durante o procedimento a paciente recebe uma anestesia geral, como via de regra. 

Mas há quem prefira receber um bloqueio espinhal ou epidural (anestesia regional) junto de um medicamento anestésico. Além disso, um cateter urinário é introduzido na uretra para esvaziar a bexiga e é feita uma limpeza na área com uma solução estéril antes da cirurgia. 

A paciente também recebe medicação intravenosa de antibióticos para minimizar os riscos de infecção pós-operatória. Com relação ao médico especialista, no caso de uma histerectomia subtotal ou total e pan-histerectomias, elas são realizadas preferencialmente por um cirurgião ginecologista ou por cirurgiões gerais. Já as histerectomias radicais, indicadas por conta de algum tipo de câncer, são normalmente realizadas por cirurgiões oncológicos.

Veja como são feitas as cirurgias de todos os tipos de histerectomia em detalhes, abaixo:

Histerectomia abdominal

Esta é uma das histerectomia mais comuns, com 65% das realizações no mundo todo. Nesse tipo de cirurgia de retirada de útero, a paciente é aberta na região do abdômen, por onde o útero é retirado. Neste caso, o cirurgião pode usar duas abordagens diferentes para o corte:

  1. Incisão vertical do meio do abdômen, descendo logo abaixo do umbigo até pouco acima do osso púbico; incisão mediana infraumbilical
  2. Incisão horizontal, na linha do biquíni, em cerca de um centímetro acima do osso púbico. Incisão de Pfannenstiel 

No entanto, o tipo de incisão vai depender de muitos fatores como a causa da histerectomia, a necessidade de explorar parte superior do abdômen, o tamanho do seu útero e a presença de cicatrizes de cirurgias abdominais prévias. 

Por exemplo, no caso de histerectomias por conta de endometriose, miomas grandes e cânceres ginecológicos a incisão vertical é a mais indicada.

Após feito o corte, o cirurgião separa o útero dos ovários, trompas de Falópio e parte superior da vagina, bem como dos vasos sanguíneos e tecido conjuntivo que o suportam. Geralmente, o colo do útero é removido, no caso de uma histerectomia total ou deixado no local, para uma histerectomia parcial. 

Se necessário, o cirurgião ainda pode remover outros órgãos pélvicos, como os ovários e as trompas de Falópio.

Histerectomia vaginal

Nesse procedimento cirúrgico de retirada de útero, o órgão é removido pela vagina. Durante esse procedimento, a incisão é feita dentro da vagina para chegar ao útero. 

O cirurgião então, grampeia os vasos sanguíneos uterinos e separa o útero dos ovários, das trompas de Falópio e da parte superior da vagina, assim como do tecido conjuntivo que o suporta, para que ele seja removido através da vagina.

O útero é removido através da abertura vaginal, depois a incisão é suturada com pontos absorvíveis para controlar o sangramento dentro da pélvis. Esse procedimento envolve um menor tempo no hospital, menor custo e uma recuperação mais rápida do que a histerectomia abdominal. 

No entanto, se o seu útero tem o volume aumentado, ela pode não ser possível, como em 

casos de aumento do volume uterino por miomas. Neste caso, o cirurgião pode cortar o órgão aumentado em pedaços menores e retirá-lo em seções.

Há também casos em que a endometriose grave ou aderências pélvicas exijam uma histerectomia abdominal durante a vaginal.

Histerectomia laparoscópica

Nessa histerectomia, o procedimento é realizado por meio de laparoscopia. Ou seja, um tubo muito fino é inserido através de pequenos cortes realizados na barriga da paciente. Na ponta desse tubo há uma câmera e uma fonte de luz (óptica), para que o médico possa realizar a cirurgia visualizando o interior da cavidade abdominal em uma tela de vídeo.

Em alguns tipos de histerectomia laparoscópica a retirada do útero pode se ser vaginal, inserindo o mesmo tubo fino por dentro da vagina da paciente. A retirada de útero é feita através da técnica de morcelamento, em que o útero é retirado por fragmentos ou através da vagina da paciente, como em uma histerectomia vaginal.

Histerectomia robótica

A histerectomia robótica é exatamente igual à histerectomia laparoscópica, com a diferença de ser realizada por um moderno sistema de robôs. Neste caso, os robôs inserem os instrumentos nas incisões abdominais e fazem o procedimento, enquanto o cirurgião monitora todo o procedimento por meio de uma tela que apresenta imagens tridimensionais.

A maior parte do procedimento é realizado através de pequenas incisões abdominais por onde os instrumentos cirúrgicos longos e finos são inseridos para que auxiliados pela imagem do laparoscópio, o útero seja removido por meio de uma incisão feita na vagina.

Esse tipo de cirurgia de retirada de útero é mais recomendado em caso de aderências pélvicas por cirurgias anteriores ou endometriose.

Exames e preparação para histerectomia

Antes de marcar a cirurgia de retirada de útero o médico pede alguns exames.

Antes de marcar a cirurgia de retirada de útero o médico pede alguns exames.

Normalmente, antes da cirurgia o seu médico poderá pedir alguns exames ginecológicos de praxe, assim como exames pré-operatórios padrão, como os cardiológicos. São eles:

  • Exame de Papanicolau para detectar a presença de células cervicais anormais ou câncer cervical;
  • Biópsia do endométrio para detectar células anormais no revestimento do útero ou câncer endometrial;
  • Ultrassonografia pélvica para visualizar o tamanho dos miomas uterinos, pólipos endometriais ou cistos ovarianos.

Já o preparo para a cirurgia é feita de forma a diminuir a ansiedade e se tranquilizar para o procedimento. Nesse sentido, reúna antes todas as informações que você precisa para se sentir confiante. Faça todas as perguntas necessárias sobre o procedimento, incluindo todos os passos envolvidos, se isso fizer com que você se sinta mais confortável.

Além disso, não deixe de seguir todas as instruções sobre medicação, inclusive possíveis mudanças de rotina em alguma medicação habitual nos dias que antecedem a cirurgia de retirada de útero. 

Não se esqueça de informar o seu médico sobre qualquer medicamento, suplementos alimentares ou outras medicações que esteja tomando. Por fim, peça ajuda alguém para te ajudar no pós-operatório em casa na primeira semana.

Cirurgia de retirada do útero: quanto tempo de repouso e recuperação?

Uma cirurgia de histerectomia costuma durar em média duas horas, podendo variar no tempo pra mais ou menos, depender da situação ou possíveis complicações. 

Normalmente, a recuperação após uma histerectomia vaginal é mais curta e menos dolorosa do que a de uma histerectomia abdominal. Porém, após o procedimento, a paciente fica no hospital em sala de repouso por algumas horas, e no quarto por um ou dois dias.

Você deverá levantar-se e tentar mover-se assim que conseguir sempre seguindo as orientações da equipe médica ou da enfermagem, podendo ter corrimento e sangramento normal por vários dias ou semanas. Além disso, há casos em que a paciente apresenta sintomas como secura vaginal e ondas de calor, geralmente quando é necessária a retirada dos ovários . No entanto, há tratamento para o alívio destes sintomas, caso seja necessário.

Com relação aos cuidados pós-operatórios, é preciso tomar cuidado para não levantar peso

(acima de 9 kg) e evitar relações sexuais até seis semanas após a cirurgia. Além disso, entre em contato com o seu médico em caso de piora de dor, náuseas, vômitos ou sangramentos mais intensos que um período menstrual normal.

Complicações e riscos

Como o útero fica localizado em uma área sensível, entre a bexiga e o intestino, a cirurgia pode aumentar os riscos de lesões dessas estruturas, principalmente na presença de doenças como miomas, endometriose, câncer e aderências pélvicas. 

Além disso, os riscos cirúrgicos são maiores em mulheres obesas, diabéticas ou com pressão arterial elevada. A estimativa é de um a dois óbitos em cada 1.000 cirurgias.

Sendo assim, embora a histerectomia seja considerada segura e sem contra indicações, algumas reações podem se apresentar, como por exemplo:

  • Sangramento intenso;
  • Coágulos de sangue nas pernas ou nos pulmões;
  • Infecção;
  • Danos em órgãos adjacentes;
  • Reações adversas à anestesia.

O que esperar após a retirada de útero

Após a cirurgia para retirada de útero, o corpo da mulher irá sofrer algumas alterações que altera permanentemente alguns aspectos da vida da mulher, podendo influenciar a sua saúde física e mental, desde alterações na libido e a sua fertilidade, por exemplo.

Ou seja, a mulher não poderá mais engravidar, mesmo que os ovários não tenham sido removidos e a menstruação era normal antes da cirurgia. Nesse caso, a mulher continua produzindo hormônios e óvulos até chegar à menopausa. 

Embora a recuperação após a cirurgia possa durar cerca de 6 a 8 semanas, algumas alterações podem se manter por mais tempo. Por isso, recomenda-se apoio emocional para aprender a lidar com essa situação, a fim de evitar a depressão.

Além disso, podemos citar algumas outras mudanças, como por exemplo:

  • Ausência de períodos menstruais;
  • Alívio de sintomas que exigiram a cirurgia;
  • Menopausa imediata, caso os ovários sejam removidos;
  • Em caso de histerectomia parcial, o colo do útero permanece no lugar, neste caso a paciente continua tendo risco de desenvolver câncer do colo uterino e necessita de continuar colhendo exame de papanicolau 

Por outro lado, outras partes na vida da mulher podem se manter normais ou até apresentarem melhoras após a histerectomia, por conta do alívio dos sintomas e aumento da qualidade de vida. Como por exemplo:

Vida íntima

Se a mulher sempre manteve um boa vida sexual antes de histerectomia, as chances dela continuar sendo boa após a cirurgia são grandes. Há casos de mulheres que passam a sentir ainda mais prazer sexual após a histerectomia, visto que a cirurgia promove alívio de alguns sintomas, como dor e hemorragias.

No entanto, mulheres que ainda não entraram na menopausa podem sentir menos vontade de ter relações sexuais devido à diminuição da lubrificação vaginal. Porém, o problema pode ser solucionado com o uso de lubrificantes.

Além disso, algumas mulheres podem vivenciar alguns sentimentos que as façam se sentirem “menos mulher”, por conta de algumas alterações emocionais na falta do útero, o que pode alterar inconscientemente o desejo sexual da mulher.

Mudanças no ciclo menstrual

Após a retirada de útero, a mulher deixa de apresentar sangramento durante a menstruação por não ter tecido do útero para eliminar, embora o ciclo menstrual continue acontecendo.

Porém, caso os ovários também sejam removidos durante uma histerectomia total, a mulher pode ter sintomas repentinos de menopausa, mesmo que não esteja no período, visto que os hormônios não são mais produzidos na ausência do órgão. 

Assim, como solução para o alívio dos sintomas, como ondas de calor e excesso de suor, recomenda-se a reposição hormonal.

Sentimentos e emoções misturados

É perfeitamente normal, após a cirurgia, a mulher passar por um período de mistura de emoções e sentimentos. Nesse sentido, a mulher pode oscilar entre alívio por ter tratado o problema e já não apresentar sintomas à sensações de perda e luto pela ausência do útero ou falta de feminilidade, assim como depressão pela perda da fertilidade. 

Por isso, muitos especialistas recomendam sessões de psicoterapia para aprender a identificar as emoções e evitar o desenvolvimento de problemas graves, como depressão.

Mudanças de peso corporal

Algumas mulheres relatam um aumento maior de peso após a cirurgia, especialmente durante o período de recuperação. No entanto, ainda não há comprovação de causas específicas para esse aumento de peso.

Há quem inclua o desequilíbrio dos hormônios sexuais, como o aumento de hormônios masculinos no organismo como uma das causas. Neste caso, a mulher desenvolve uma maior tendência a acumular mais gordura na região abdominal.

Além disso, no caso de período de recuperação bastante longo e inativo, a mulher pode ganhar peso por conta da inatividade prolongada.