Você ainda não tem filhos?

mai 2, 2011   //   por Clínica GERA   //   Infertilidade Feminina  //  6 Comentários

“Você ainda não tem filhos?”. Esta é uma pergunta que pode machucar. Ainda mais quando a mulher está com mais de 39 anos de idade e o interlocutor insiste em complementar: “Está esperando o quê?”… Em muitos casos, muitas coisas: um parceiro fixo, uma doadora de óvulos compatível, um bom resultado do espermograma do marido, a biópsia do seu último aborto espontâneo… 

“Você ainda não tem filhos?” é uma pergunta simples, mas de difícil resposta para muitas das pacientes com as quais converso, todos os dias. É surpreendente ouvir, por quantas vezes na vida, elas passam por esta posição desconfortável: ter de explicar a um familiar, um amigo ou até mesmo a um estranho o porquê elas não têm filhos. 

Muitas prefeririam responder quanto ganham, quantas vezes mantêm relações sexuais por mês ou em quem votaram. Outras já têm respostas prontas: “Estou planejando”, “Ainda não”, “A vida não é justa, nem lógica”, “Um em cada seis casais sofre de infertilidade”, “Pessoas irresponsáveis ​​têm filhos, mas as pessoas sensatas, muitas vezes, não”, …. 

Tudo para evitar a inevitável pergunta susbseqüente: “Por que não?”, que é ainda muito pior. 

Fenômeno mundial 

No mundo todo, cerca de 90 milhões de casais estão tentando engravidar, mas cada tratamento tem apenas 20% de chances de sucesso. O fato é que, se você é uma mulher, com bem mais de 30 anos, no imaginário popular, é normal que você tenha filhos. Mais do que normal, esta é “a norma”. 

Uma norma que precisa ser revista. Até pouco tempo atrás, não ter filhos era uma ocorrência rara, que, fazia da mulher sem filhos “um objeto de piedade ou desconfiança”. 

Mas as coisas mudaram: as mulheres sem filhos são uma minoria importante, que dobrou nos últimos 20 anos. Hoje, uma em cada cinco mulheres britânicas não tem filhos. E segundo as previsões do Office for National Statistics, quase um quarto das mulheres nascidas em 1973 não terá filhos até chegar ao final de sua vida reprodutiva: a idade de 45 anos. No grupo das britânicas mais graduadas, o número é maior: 40% não têm filhos aos 35 anos, e um terço delas nunca terá filhos. 

Por aqui, também temos números interessantes também, que nos levarão ao mesmo caminho:  a taxa de fecundidade brasileira decresceu da média nacional de 6,3 filhos, em 1960, para 5,8 filhos em 1970, chegando ao patamar de 2,3 filhos, em 2000. A região Sudeste foi a que registrou o menor índice de fecundidade, 2,1 filhos por mulher, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Respostas prontas

Apenas para registro, os motivos que levam uma mulher a não ter filhos são muito complexos e variados: problemas de saúde diversos, instabilidade financeira, falta de parceiro fixo, carreira, câncer, viuvez precoce, um parceiro fixo que não deseja filhos.

É comum entre as pacientes que atendo um ressentimento em relação a “ser uma mulher sem filhos”. Muitas dizem que a sociedade as encara como se “algo estivesse faltando”, “como se elas estivessem perdendo o melhor da vida”, “como se elas fossem um fracasso”… Digo a elas que o olhar de censura ou de reprovação do outro é, porque, no fundo, a infertilidade ainda incomoda e assusta a sociedade. 

Assim, qual a melhor resposta quando a questão é: “Você não tem filhos?”. É preciso pensar em algo, pois esta pergunta sempre irá surgir, nos mais diversos lugares e nas mais diversas ocasiões sociais. 

Digo a cada uma das minhas pacientes que a melhor resposta é aquela que não a magoa, uma resposta que fale das suas opções e escolhas e que na hora de responder a deixe confortável. Esta resposta pode mudar ao longo dos anos: “Não”, “Meu marido não quer”, “Nós não podemos ter filhos”…

Talvez, nenhuma das respostas mencionadas seja a ideal. Mas, não é preciso se preocupar, pois, com certeza, ninguém é obrigado a falar sobre a contagem de esperma de seu marido ou sobre a sua reserva ovariana, se não desejar fazer isto. 

Prof. Dr. Joji Ueno é ginecologista, diretor da Clínica GERA.

6 Comentários

  • Puxa,cheguei a chorar lendo isso..parecia que eu estava me vendo em cada linha..
    Como é doído ter que “se explicar” para as pessoas(muitas vezes estranhos)- o tempo todo as vezes-sobre o porque de não termos filhos..muitas vezes as pessoas nos magoam sem nem se dar conta e nos sentimos um “animal ferido expulso pelo bando” como eu sempre comento com pessoas amigas..

    Obrigada por este texto esclarecedor..me confortou um pouco ao ver que não sou a única que se sente ferida com isso..Ainda mais hoje que é Dia das Mães,um dia nada legal para mim..

    • Muito bom contar com o seu apoio.

  • Meu nome é Edileuza, tenho 46 anos. Tenho as 02 trompas obstruídas. Aos 44 anos fiz 01 fertilização in vitro no projeto Beta mas não fui feliz. Depois também fiz mas 03 tentativas pelo Ciclo natural na mesma clinica e também não deu certo.
    Quero saber como funciona o programa de ovodoação dessa Clinica.
    Grata,

    Edileuza

  • Dr. Joji, boa tarde.

    Meu nome é Andresa, tenho 34 anos e há 2 tento engravidar. Sou casada e nunca tive filhos. Este é meu segundo casamento, no primeiro, também não tive sucesso. Meu ex-marido já tem 02 crianças.
    Ao longo de 5 ou 6 anos, fiz vários exames na tentativa de localizar um possível problema (Histerossalpingografia, Histeroscopia, várias dosagens hormonais e ultrassons para acompanhamento de ovulação (sem indução química), espermograma e teste pós coital para avaliar o muco cervical), todos tiveram resultado normal, exceto o pós coital, que deu o pior resultado possível – nenhum esperma havia conseguido chegar no seu destino.
    Diante desta situação, e a partir da orientação de meu ginecologista, fiz 3 ou 4 ciclos com Serofene, e depois duas IIUs, ambos com resultado negativo…
    Gostaria de tentar a FIV, seria o caso? Há possibilidades de sucesso? Quais as chances? Qual o processo mais eficiente neste caso?

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