Maternidade. Adiar até quando?

set 15, 2011   //   por Clínica GERA   //   Imprensa  //  Sem Comentários

O número de grávidas ou mulheres tentando engravidar na faixa entre 30 e 40 anos tem aumentado nos últimos anos. Pelo menos 20% das mulheres aguardam até os 35 anos para iniciar nova família. “São muitos os fatores envolvidos na decisão de adiar a maternidade: estabilidade profissional, espera por relacionamento estável, desejo de atingir segurança financeira, ou, ainda, incerteza sobre o desejo de ser mãe. Entretanto, é importante alertar sobre as conseqüências da decisão: a idade pode afetar a capacidade de conceber”, afirma o especialista em Reprodução Humana, Joji Ueno, de São Paulo. É também importante informá-las sobre tratamentos disponíveis que podem ajudá-las a engravidar, quando decidirem que o melhor  momento chegou.

40 anos

A queda na fertilidade com o avanço da idade é fato biológico. Estima-se que a chance de gravidez por mês é de aproximadamente 20% nas mulheres abaixo de 30 anos, mas de apenas 5% nas mulheres acima dos 40. Mesmo com tratamentos para infertilidade, como a fertilização in vitro, a fertilidade diminui e as chances de aborto espontâneo aumentam após os 40. “Há várias explicações para o declínio de fertilidade: condições médicas, mudanças na função ovariana e alterações na liberação dos óvulos pelos ovários”, afirma Joji Ueno.

A mulher de 40 anos também tem mais chances de apresentar problemas ginecológicos, como infecções pélvicas e endometriose, que podem diminuir a fertilidade. Exames de fertilidade podem ser requisitados para diagnosticar algumas dessas condições. Embora a maioria dos especialistas em infertilidade recomende que os casais tentem a gravidez por pelo menos 1 ano antes de realizarem testes de fertilidade, mulheres acima dos 40 anos podem realizar esses exames a qualquer momento.

Alterações nos ovários

“Devido a algumas doenças que podem causar a infertilidade em casais acima de 40 anos, a queda nas chances de engravidar é mais freqüente devido às mudanças naturais que ocorrem nos ovários”, explica Joji Ueno. O hipotálamo e a hipófise, glândulas localizadas no cérebro, coordenam processos que levam à ovulação e menstruação regular. “A maioria das mulheres têm aproximadamente 300.000 óvulos nos ovários na puberdade. Para cada óvulo que amadurece e é liberado (ovulado) durante o ciclo menstrual, pelo menos 500 a 1000 não amadurecem totalmente e são reabsorvidos pelo corpo”, explica o médico.

Quando a mulher atinge a menopausa, que normalmente ocorre entre os 40 e os 56 anos de idade, há apenas alguns óvulos remanescentes. Esses óvulos restantes geralmente não respondem bem às secreções de FSH e LH da hipófise e os níveis desses hormônios na corrente sanguínea aumentam no intuito de estimular os ovários. Um nível elevado de FSH no sangue no terceiro dia do ciclo menstrual sugere que o ovário não está respondendo normalmente aos sinais da hipófise. “Essa falta de resposta ovariana é evidência indireta de baixa qualidade do óvulo. A diminuição da resposta do ovário ao FSH e LH da hipófise resulta em baixa no estrógeno e na progesterona produzidos pelo ovário”, explica o médico, que coordena curso de Especialização em Medicina Reprodutiva, ministrado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Aos poucos, o ciclo menstrual vai se tornando menor e, eventualmente, os ovários podem não liberar um óvulo, resultando em um ciclo sem ovulação. “Além disso, os hormônios – estrógeno e progesterona – são críticos para o desenvolvimento normal do endométrio, onde o embrião deve se fixar para se desenvolver. Uma redução nos hormônios dos ovários, que acontece com a idade, também contribui para diminuir as chances de gravidez”, conclui.

Riscos

À medida em que a mulher envelhece, os óvulos remanescentes também envelhecem, tornando-se menos capazes de serem fertilizados pelos espermatozóides. “Outro fator a ser ponderado é que a fertilização desses óvulos está associada a risco maior de alterações genéticas. Alterações cromossômicas, como a Síndrome de Down, são mais comuns em crianças nascidas de mulheres mais velhas. Há um aumento contínuo no risco desses problemas cromossômicos conforme a mulher envelhece”, afirma Joji Ueno. Quando os óvulos com problemas cromossômicos são fertilizados, eles têm possibilidade menor de sobreviver e crescer. Por essa razão, mulheres que estão acima dos 40 têm risco aumentado de abortos espontâneos também.

As taxas menores de gravidez em mulheres acima de 40 são, em grande parte, devidas ao aumento de óvulos com problemas cromossômicos. “Já quando os óvulos são coletados em mulheres de 20 a 30 anos, fertilizados e colocados no útero de uma mulher com mais de 40, a chance de gravidez na mulher mais velha é muito maior do que ela poderia esperar se tivesse utilizado seus próprios óvulos”, explica o médico. O sucesso no emprego das técnicas de doação de óvulos confirma que a qualidade do óvulo é barreira fundamental à gravidez nas mulheres mais velhas. “Embora a idade, hoje, não se constitua barreira intransponível à gravidez, qualquer tratamento de infertilidade, exceto a doação de óvulos, terá menos sucesso em mulheres acima de 40 anos”, diz Joji Ueno.

Acompanhamento médico

Quando a mulher com a idade mais avançada decide engravidar, é importante que procure aconselhamento médico. Se o médico identificar qualquer problema físico que possa afetar as chances de engravidar, ou se ela estiver tentando conceber por mais de 6/12 meses, ela pode procurar especialista de infertilidade. Como as chances de gravidez diminuem com a idade é recomendado que todos os exames necessários para verificar a fertilidade desta mulher sejam prontamente realizados. “A maioria dos exames de infertilidade podem ser realizados em 1 a 3 meses e o tratamento apropriado pode ser iniciado imediatamente após a avaliação do especialista”, diz Joji Ueno.

Uma vez realizados os exames necessários e se a causa para a infertilidade for diagnosticada, o médico pode discutir com a paciente os tratamentos possíveis. Atualmente, o tratamento da infertilidade encontra muitas opções terapêuticas no Brasil, que podem ir da superovulação com inseminação intra-uterina programada (SO-IUI) à fertilização in vitro (FIV), informa Joji Ueno.

Mulheres portadoras de doenças crônicas, tais como pressão alta e diabetes, também merecem atenção especial e aconselhamento do obstetra ou neonatologista, antes de tentar a gravidez. Mesmo sem apresentar pressão alta e diabetes pré-existentes, essa condições se desenvolvem mais comumente em mulheres que concebem após os 35 anos. Como resultado desse risco aumentado, exames e monitoramento especiais podem ser recomendados durante a gravidez.

FONTE: VIDA INTEGRAL

 

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