O PGD deve necessariamente fazer parte dos programas de tratamento da infertilidade?
Para a maioria dos casais que enfrenta longos tratamentos para engravidar, o fato de ter um bebê saudável é tão gratificante que qualquer consideração sobre o sexo da criança é secundária. Mas e quanto aqueles que estão “desesperados para ter um menino ou uma menina?”. Eles fariam qualquer coisa para conseguir determinar o sexo do bebê?
De acordo com matéria publicada, recentemente, no Daily Mail, (http://www.dailymail.co.uk/femail/article-1366672/How-far-YOU-choose-sex-child.html) milhares de casais britânicos “estão desesperados para escolher o sexo de seu bebê”. E estes casais estão dispostos a tudo por este objetivo, até mesmo a se submeterem a um tratamento de infertilidade sem razão nenhuma, a não ser fazer a escolha do sexo para garantir o “equilíbrio familiar”. Tal conduta é proibida no Reino Unido – é permitida apenas em raras situações médicas – e na maioria das nações européias. No entanto, a prática é legal na maioria dos estados dos EUA, na Rússia e no Oriente Médio.
“A possibilidade de escolha do sexo dos bebês é baseada em uma técnica de laboratório chamada diagnóstico genético pré-implantacional, PGD. O exame permite que embriões sejam testados perante uma doença genética, antes de sua transferência para o útero materno, ou seja, antes do início da gestação. Este é o objetivo do emprego desta tecnologia no Brasil. O princípio de proibição da seleção de sexo, previsto por aqui, tem por base a não discriminação e a não utilização da ciência para práticas eugênicas, dando preferência a um sexo ou outro. Até mesmo em países como a China e a Índia, onde a preferência pelos filhos homens é esmagadora, o acesso às técnicas de reprodução assistida com o objetivo da seleção de sexo é proibido”, explica o ginecologista, Prof. Dr. Joji Ueno.
Os oponentes à seleção de sexo dizem que a prática “é um passo rumo a um futuro de ‘bebês projetados’ ”, onde os pais são capazes de selecionar os traços físicos de seus filhos, como cabelos, altura e cor. E defendem que as técnicas de fertilização in vitro foram desenvolvidas para resolver problemas de infertilidade genuína, não para facilitar uma engenharia social discriminatória.
No entanto, mesmo com a prática proibida em solo inglês, nada impede que os casais tomem um avião e ignorem as leis britânicas. Um dos destinos mais populares para a crescente indústria do “turismo da seleção de sexo” é os Estados Unidos, onde a prática é legal em quase todos os estados, mesmo sem indicação médica para a realização do PGD. Com apenas cinco minutos de pesquisa no Google é possível identificar milhares de clínicas que colaboram com o “equilíbrio familiar” de interessados de todos os cantos do mundo.
Entenda a importância do PGD no tratamento da infertilidade
O PGD – exame realizado em alguns laboratórios de reprodução assistida com o auxilio do LASER – permite separar os embriões portadores de algum tipo de desordem genética, transferindo para o útero materno apenas os embriões saudáveis, beneficiando principalmente casais com alto risco genético, como doenças de etiologia autossômica dominante ou recessiva.
“O PGD requer, necessariamente, que a fecundação seja realizada via fertilização in vitro (FIV). Pois é durante o procedimento de ICSI, que é efetuada a biópsia: uma célula embrionária – blastômetro – é removida do embrião no terceiro dia, sem comprometer o seu desenvolvimento, e, em seguida é feita a análise genética”, explica o Prof. Dr. Joji Ueno.
A constituição cromossômica destes blastômeros pode ser analisada por diferentes testes genéticos, como a hibridização fluorescente in situ (FISH) ou a reação em cadeia da polimerase (PCR). “A PCR permite detectar defeitos genéticos envolvendo um único gene, tais como fibrose cística, anemia falciforme, doença de Tay-Sachs, dentre outros. Já as alterações cromossômicas numéricas e constitucionais podem ser determinadas por meio da FISH, assim como o sexo dos embriões, usando sondas específicas para os diferentes cromossomos”, explica Joji Ueno.
Aos poucos, o PGD vem se tornando parte dos programas de FIV, visto que aproximadamente 50% dos embriões podem apresentar alterações cromossômicas e 60% dos abortos de primeiro trimestre podem estar relacionados com essas alterações. Com a identificação e separação dos embriões geneticamente normais, o índice de sucesso de uma gestação aumenta significativamente.
“Outra aplicação do PGD está relacionada com a idade materna avançada, comum entre as pacientes que procuram as clínicas de reprodução assistida. Estas pacientes, normalmente demonstram insegurança quanto ao risco de malformações fetais, cuja incidência é diretamente proporcional à idade materna. Como o PGD permite a determinação do sexo de cada embrião, pode-se prevenir também as moléstias relacionadas ao cromossomo sexual, como a hemofilia e a síndrome do X-frágil”, explica o diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo.
Em 2010, a Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia publicou novas diretrizes para a aplicação do PGD, visando coibir abusos éticos: http://www.eshre.eu/ESHRE/English/Press-Room/Press-Releases/2010-Press-releases/Chequerboard-of-infertility-treatment-in-Europe/page.aspx/1182.
Para Joji Ueno, o exame continua muito importante na detecção de doenças gênicas hereditárias, mas o seu uso é questionável nos outros casos. “Não concordamos em vender ‘a falsa impressão’ de que, fazendo o PGD em mulheres com idade mais avançada, o processo de fertilização seria mais controlado. Isso é um absurdo”, diz o médico.
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Depois que parei de tomar o anconcepcional minha menstruação ainda não veio e quero engavidar pretendo ter outro filho so tenho 1 com 9 anos de idade