Gravidez após os 40

abr 19, 2011   //   por Clínica GERA   //   Imprensa  //  Sem Comentários

Por que mais e mais mulheres deixam o sonho da maternidade para ser realizado após os 40 anos? Um exemplo disso no mundo das celebridades é o da atriz Jennifer Aniston, 41 anos, que declarou que apenas será mãe quando encontrar a pessoa certa para o feito. A espera pelo momento perfeito é tanta que a atriz e ex-mulher de Brad Pitt até já congelou seus óvulos.

Mas Jennifer não é a única que optou por esperar mais tempo para engravidar. Muitas mulheres adiam o sonho da gestação por diversos fatores: seja por ênfase na carreira profissional, seja por busca de estabilidade financeira ou até mesmo pela falta do par ideal… Outras celebridades que já conquistaram ascensão profissional e fama deixaram também o sonho de ser mãe para depois – a exemplo da atriz Salma Hayek (43), que teve sua primeira filha aos 41 anos, e da atriz Courteney Cox (44), que optou pela fertilização in vitro e teve sua filha Coco, aos 40 anos.

É esse o assunto que a escritora Rachel Lehmann-Haupt aborda em sua autobiografia “Em seu próprio tempo: Aventuras Inesperadas” (tradução livre). Ela discorre sobre os motivos que levam muitas mulheres desta geração a começar suas famílias mais tarde, geralmente com idade superior a 35 anos. Segundo a escritora, isso ocorre devido a uma combinação de fatores econômicos, carreira profissional e mudança de valores na sociedade.

E, no caso de Jennifer Aniston,  o congelamento de óvulos é realmente uma técnica segura?

CONGELAMENTO DE ÓVULOS

Dois estudos apresentados durante a 26ª reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, realizada em Roma em 2010, apontaram que mulheres de diferentes idades apresentam motivos específicos para desejar congelar seus óvulos.

Um estudo realizado com 200 estudantes universitárias na Grã Bretanha, coordenado por Srilatha Gorthi – pesquisadora do Centro de Medicina Reprodutiva de Leeds, no Reino Unido – revelou que oito em cada dez estudantes de medicina considerariam o procedimento para poderem focar na carreira profissional. Entre estudantes de outras áreas, a justificativa mais comum era a preocupação com a estabilidade financeira.

Outra pesquisa, conduzida por Julie Nekkebroeck – psicóloga sênior do Centro de Medicina Reprodutiva UZ Brussel, em Bruxelas – analisou um grupo de 15 mulheres, com idade média superior a 38 anos – com alto grau de escolaridade e poder aquisitivo. A tendência entre essas mulheres é a de optar pelo congelamento dos óvulos enquanto procuram o parceiro ideal. Cinco das mulheres afirmaram recorrer ao congelamento como uma medida de segurança contra a infertilidade.

PERIGOS DO CONGELAMENTO

De acordo com o professor Dr. Joji Ueno – ginecologista e diretor da Clínica Gera, o aproveitamento aceitável da técnica de congelamento do óvulo ainda não é uma realidade. Ele pontua que as mulheres que pensam em recorrer à técnica devem ser bem informadas e aconselhadas por seus médicos.

Especialistas, em geral, reforçam a necessidade de informar sobre a probabilidade de sucesso do tratamento e o número de óvulos que precisam ser congelados, a fim de oferecer uma perspectiva realista do sucesso futuro do tratamento.

Em 2009, a Sociedade Britânica de Fertilidade e a Associação dos Embriologistas Clínicos emitiu novas diretrizes sobre a eficácia e a segurança do procedimento, que foram publicadas no jornal da entidade, o “Human Fertility”.

“As entidades britânicas defenderam o posicionamento de que o congelamento de óvulos é uma tecnologia de apoio à preservação da fertilidade de mulheres com câncer, que irão se submeter à quimioterapia ou à radioterapia, mas não é a solução para neutralizar o declínio da fertilidade feminina em decorrência da idade”, explica Joji Ueno.

E ainda mais. Dados do American Society for Reproductive Medicine Practice Committee, de 2007,  dão conta da pequena taxa de sucesso da técnica de congelamento de óvulos: apenas 2%  de nascidos vivos por oócitos descongelados, quando o congelamento lento foi empregado; 4% de nascidos vivos, para a vitrificação.

“O congelamento do óvulo, com taxa de aproveitamento aceitável, ainda não é uma realidade. Portanto, estamos distantes de poder assegurar uma gravidez futura com o emprego desta técnica. Como vender, hoje, algo que você não tem certeza que irá entregar? Este é um ótimo questionamento para os médicos que desejam trabalhar com a medicina reprodutiva”, diz o  professor Dr. Joji Ueno.

MIL MANEIRAS

Vale lembrar ainda que, hoje em dia, as mulheres podem se aventurar na gestação como mães solteiras por opção. Há também várias outras maneiras de engravidar –seja pela possibilidade de congelar seus óvulos, ou recorrer a métodos de reprodução assistida e, até mesmo, escolher a adoção, que é sempre uma alternativa.

FONTE: REVISTAS PAIS & FILHOS

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