Cirurgia robótica facilita o tratamento da endometriose
Tendência mundial em cirurgias minimamente invasivas, a cirurgia robótica, disponível no Brasil em dois hospitais da cidade de São Paulo, é mais uma alternativa terapêutica para pacientes quem sofrem com doenças ginecológicas como a endometriose, o câncer cervical e os miomas em quadro avançado. Nos Estados Unidos, 500 robôs já estão sendo utilizados por centros médicos de todo o país.
“Podemos dizer que a cirurgia robótica é uma forma mais avançada da videolaparoscopia. Na verdade, o cirurgião lida com duas máquinas. A primeira é o robô propriamente dito, com quatro braços finos e longos. Na ponta de um deles, há uma câmera. Na ponta dos outros três, as pinças cirúrgicas. No corpo do paciente são abertas minúsculas incisões, de cerca de 1 cm, por onde entram os braços do robô. A segunda máquina é uma espécie de controle remoto, operado pelo cirurgião. O médico vê o corpo do paciente num visor e comanda o robô usando uma luva especial. Cada movimento é fielmente imitado pelo computador”, diz o Prof° Dr. Joji Ueno, diretor da Clínica GERA.
Os braços do robô conseguem repetir todos os movimentos da mão humana – são mais versáteis que as pinças da laparoscopia – e em diferentes escalas. Como a precisão das cirurgias robóticas é infinitamente maior, a técnica facilitará a realização de intervenções em casos mais complicados, como em áreas do corpo onde os cirurgiões evitavam a intervenção cirúrgica anteriormente, por causa do número elevado de nervos.
“A operação robótica reúne todas as vantagens das cirurgias minimamente invasivas. A máquina imita os movimentos do cirurgião anulando os tremores naturais da mão humana, o médico pode ver o órgão operado em zoom, e a imagem é tridimensional, diferentemente do monitor da videolaparoscopia, que fornece imagens em duas dimensões, ou seja, sem profundidade. Como o bisturi não faz grandes cortes, a perda de sangue é menor, o organismo fica menos exposto a bactérias que causam infecções e a recuperação é rápida e menos traumática. Mas é importante destacar que o médico precisa ser extremamente capacitado para poder operar o aparelho e monitorar o estado de saúde do paciente. O uso do robô na cirurgia não substitui o conhecimento cirúrgico do profissional, a máquina é apenas um instrumento mais moderno. Por tratar-se de uma tecnologia nova, a cirurgia robótica necessita ainda de um certo tempo de uso para que a classe médica consiga precisar suas reais indicações”, ressalta Joji Ueno.
Ueno acredita que, no futuro, as cirurgias robóticas vão ser cada vez mais freqüentes no dia-a-dia dos cirurgiões. Atualmente é um procedimento oneroso, utilizado em poucos centros especializados no mundo. “Na área ginecológica, estão sendo realizados estudos, comparando a tecnologia robótica com a videolaparoscopia convencional. A tecnologia robótica tem sido mais empregada em cirurgias mais complexas, como é o caso da endometriose avançada, do tratamento de alguns cânceres genitais, de histerectomias e da remoção de miomas”, diz o ginecologista.
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