A experiência da maternidade on line

set 23, 2010   //   por Clínica GERA   //   Infertilidade Feminina  //  Sem Comentários

No mundo moderno, marcado pela influência da tecnologia nas relações pessoais, não é estranho que a Internet se torne um dos espaços para a discussão da maternidade e da infertilidade feminina. Um estudo realizado pelo Pew Internet & American Life Project revelou que mulheres usam a web para reforçar relações pessoais, enquanto homens exploram a variedade oferecida pela rede. Segundo o Ibope//NetRatings, em janeiro deste ano, 48,9% dos internautas brasileiros eram mulheres, o número representa 10,3 milhões de pessoas do sexo feminino. Dentre os sites mais acessados por elas estão os de relacionamentos, os de e-mail, de música, de educação e de brincadeiras infantis. Além disso, o público feminino também acessa muito os sites de saúde, beleza, os fotologs e as lojas eletrônicas de nicho.

Por isto, não é uma surpresa encontrar mais de setecentos mil internautas na comunidade Eu amo bebês, vinte e quatro mil na Meu sonho é ser mãe!, onze mil integrantes reunidos na comunidade Gravidez, Parto e Maternidade, todas no Orkut. “Chamam atenção também as comunidades que discutem a impossibilidade de ser mãe, como as destinadas à discussão da endometriose, dos abortos recorrentes, da síndrome dos ovários policísticos, dos problemas imunológicos. As participantes partilham dúvidas, dividem angústias, mas, primordialmente, buscam informações sobre os problemas que as afligem”, afirma o ginecologista Joji Ueno, que dirige a Clínica GERA.

Fonte de informações

Difusão de informações é o que busca fazer também as Mães Blogueiras, grupo que compartilha informações sobre gravidez, parto e outros assuntos relacionados à maternidade. “Com o objetivo de participar deste debate, criamos o nosso espaço na Internet, que é aberto a todos os que desejam formar uma família e enfrentam problemas de fertilidade. Buscamos oferecer informação de qualidade no nosso blog: http://medicinareprodutiva.wordpress.com/ ”, diz Joji Ueno. O médico, que participa das discussões destas comunidades e blogs, sempre que pode, destaca, dentre os temas debatidos no mundo virtual, uma maior busca das mulheres por informações sobre:

  • Causas da infertilidade feminina 

Problemas ovulatórios, obstruções na trompa, doenças uterinas, infecções no colo do útero e fatores imunológicos estão entre as principais causas de infertilidade feminina. “Muitas mulheres apresentam dificuldades para ovular causadas pela Síndrome dos Ovários Policísticos ou por disfunções na tiróide ou nas glândulas supra-renais”, diz Joji Ueno, que também é Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP.

As obstruções nas trompas podem ser causadas pela endometriose ou algum tipo de aderência que dificulte a mobilidade, ou seja, o transporte do óvulo até o útero que é realizado pela trompa. Em alguns casos, os problemas estão localizados no útero, causados por miomas e pólipos. “As infecções do colo do útero também impedem a gravidez porque deixam o muco vaginal hostil, não permitindo a sobrevivência e a passagem do espermatozóide”, afirma o médico.

Há casos também em que a mulher não engravida porque seu sistema imunológico entende o espermatozóide como um intruso e o rejeita. Somados aos fatores biológicos estão também o uso de drogas, álcool, remédios sem prescrição e hábitos de vida sedentários que podem causar infertilidade também.

  • Concepção após os 35 anos 

Se a mulher chegar aos 35 anos de idade sem conseguir engravidar naturalmente, ela pode contar, hoje, com diversos tratamentos que poderão auxiliá-la disponíveis nas clínicas de reprodução humana. “Para cada caso há uma indicação terapêutica, desde uma indução da ovulação, passando pela fertilização in vitro, ou optando pela doação de óvulos ou doação temporária de útero, dentre muitos outros tratamentos”, diz Joji Ueno.

Uma das técnicas de reprodução assistida mais simples, utilizada quando a mulher não ovula regularmente, consiste em administrar hormônios para superestimular os ovários. Normalmente, a mulher produz um óvulo por ciclo menstrual. Com o medicamento, ela pode formar diversos folículos e liberar muitos óvulos. Entretanto, não é recomendável realizar a inseminação intra-uterina quando há mais que três folículos, devido ao risco de uma gravidez múltipla. O método funciona em 10% dos casos indicados. Casos mais delicados exigem a inseminação artificial. Os espermatozóides do marido ou de um doador são recolhidos, assim como os óvulos, e a fecundação é feita “artificialmente”, fora do corpo. “A chance de sucesso é de 30%, dependendo da paciente. Após, no máximo, três tentativas, a probabilidade de gravidez para uma mulher de 35 anos pode aumentar em até 50%”, informa o ginecologista.

A probabilidade de gestações múltiplas aumenta com o emprego dos métodos de fertilização. Numa gravidez natural, em geral apenas um óvulo é fecundado. Na artificial, feita nas clínicas de reprodução assistida, tenta-se formar maior número de embriões de boa qualidade, produzidos de óvulos coletados da mãe e espermatozóides do pai. “Como as chances do embrião se fixar no útero e prosperar são pequenas, colocam-se mais de um. A quantidade máxima permitida no Brasil é de 4 embriões, mas geralmente transferimos menos, pois desejamos elevar a probabilidade de gravidez, sem promover a gestação múltipla, fato que deve ser evitado, devido aos inúmeros riscos da multiparidade”, afirma Joji Ueno.

  • Conciliação da carreira com a maternidade 

A questão emprego x vida pessoal não deve ser pensada como uma dicotomia, como se ambos fossem forças que se repelem. Flexibilidade é muito importante para a mulher que deseja conciliar a carreira com a maternidade. “Quem pensa que uma excelente mãe é aquela que acompanha tudo o que o filho faz o tempo todo e acredita que ser uma boa profissional é ter disponibilidade total, precisa saber que as coisas não são mais assim. A construção do ideal feminino deve ser feita de acordo com as limitações impostas pela realidade e com as expectativas diminuídas”, aconselha Ueno.

Mesmo com a ajuda da ciência e das técnicas de fertilização in vitro, é bom saber que as chances de as mulheres de até 35 anos engravidarem são de 40% a 50%. Acima de 40, a taxa é 10%. Há também maior incidência de doenças como diabete e hipertensão. Sem contar os riscos para o feto. “Até os 37 anos, a chance de se ter um filho com síndrome de Down é de 1%. De 40 a 45 anos, varia de 3% a 5%”, explica o médico.

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